A canção inédita

Professores da EMUFRN gravam música inédita composta pela pintora Tarsila do Amaral

A obra Abaporu (1928) é uma das principais referências do movimento modernista no Brasil, cuja autoria é de Tarsila do Amaral, considerada uma das maiores pintoras da América Latina. Porém, além da sua grande habilidade com as artes plásticas, Tarsila também tinha um outro talento escondido. Em visita à família da artista, o professor Durval Cesetti, da Escola de Música da UFRN (EMUFRN), acabou se deparando com uma canção em francês composta pela artista, que sua sobrinha-neta, Maria Clara do Amaral, tinha achado recentemente.

O projeto de pesquisa do professor Durval envolve a busca por partituras que ainda estejam em manuscrito, ou seja, que nunca tenham sido publicadas. Ao mesmo tempo, ele realiza um projeto de editoração de partituras, que são publicadas no site da Escola de Música da UFRN, com o intuito de que essas peças possam ser conhecidas por outros músicos. Durval tem uma parceria com o Instituto Piano Brasileiro (IPB), o qual realiza um trabalho de resgate e divulgação da cultura pianística brasileira. O Instituto frequentemente envia os manuscritos ao professor, para que ele possa realizar a primeira gravação mundial das peças.

Em 2021, o IPB enviou diversas obras de Lydia do Amaral, mãe de Tarsila do Amaral, para Durval. Só quem tinha conhecimento da existência dessas peças era a família e seus descendentes. Maria Clara do Amaral foi quem encontrou as composições e as enviou para o IPB. As gravações das obras de Lydia do Amaral foram publicadas na internet e podem ser ouvidas aqui. A família foi se correspondendo com o professor e o convidou para realizar um sarau em Mombuca, no interior de São Paulo. O objetivo era realizar uma homenagem a Guilherme do Amaral, neto de Lydia, que completava 91 anos. Durval aceitou.

Nome de Tarsila aparece em partitura – Foto: Cedida

Enquanto estava manuseando os manuscritos de Lydia, Maria Clara lhe mostrou uma canção em francês assinada por Tarsila. Quando perguntou aos familiares, eles lhe disseram que era uma composição da própria Tarsila do Amaral. Ainda segundo eles, ela teria sido uma ótima pianista e chegou a cogitar a ideia de seguir carreira como musicista.

Partitura de canção atribuída a Tarsila do Amaral – Foto: Cedida

“Esta partitura, de uma canção intitulada Rondo d’Amour, estava com uma letra bem difícil de ler, diferentemente das peças de Lydia do Amaral, por exemplo. Por causa disso, supõe-se que provavelmente Tarsila não havia pensado em fazer essa partitura para outras pessoas interpretarem a canção, devendo ter sido uma composição que fez para si mesma, durante seus estudos musicais, e que depois foi guardada por sua mãe”, explica o professor Durval Cesetti.

O professor realizou uma editoração profissional da canção. Por conta da difícil leitura do texto em francês, ele pediu o auxílio da amiga Catarina Brandão, diplomata da Embaixada do Brasil em Paris, na França. “Além do valor histórico de acharmos uma composição de uma das nossas maiores artistas plásticas, eu fiquei imediatamente impressionado ao perceber que parecia ser uma obra muito bem-feita, algo que se confirmou após termos feito a sua gravação”, conta Durval.

Elke Riedel, soprano, Durval Cesetti, piano, e Kaio Morais, tenor – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Após terminar de realizar a editoração, ela foi publicada no site da EMUFRN e Durval convidou os professores Elke Riedel e Kaio Morais para, juntos, realizarem as primeiras gravações da canção.  Ouça a canção:

Rondo d’Amour (Tarsila do Amaral)

Tarsila do Amaral

Tarsila de Aguiar do Amaral nasceu em Capivari, interior de São Paulo, no dia 1º de setembro de 1886 e faleceu no dia 17 de janeiro de 1973, com 86 anos. Ela é considerada uma das principais artistas modernistas da América Latina. Aos 16 anos, Tarsila pintou seu primeiro quadro em Barcelona, na Espanha, chamado Sagrado Coração de Jesus.

No último domingo, 13, foi comemorado o centenário da abertura da Semana de Arte Moderna de 1922. O evento foi uma manifestação artística que marcou a história da cultura brasileira, realizado entre os dias 13 e 18 de fevereiro. O Grupo dos Cinco foi o conjunto de artistas que liderou esse marco. Faziam parte os escritores Menotti Picchia, Oswald de Andrade e Mário de Andrade, como também as pintoras Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Foram expostas cerca de 100 obras.

As obras de Tarsila tiveram características das três fases do Renascimento, sendo elas: Pau Brasil, Antropofágica e Social. No total, ela pintou cerca de 270 obras. Algumas delas são: A Estação Central do Brasil (1924), A Feira (1924), O Pescador (1925) e Abaporu (1928).

Esta última foi um presente que a pintora deu para Oswald de Andrade. Raul Bopp, escritor e amigo de Oswald, perguntou: “Vamos fazer um movimento em torno desse quadro?”. O nome Abaporu, em tupi-guarani, significa antropófago e, assim, deram esse nome ao quadro que inspirou o início do movimento antropofágico. A obra foi vendida para o argentino Eduardo Constantini, em 1995, e hoje está exposta no Museu de Arte Latino-Americano de Buenos Aires (Malba).

Tarsila do Amaral, fotografia retirada por volta de 1925 – Crédito: Desconhecido

EMUFRN lança Edital para seleção de professor substituto/temporário

A Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte lança Edital para seleção de PROFESSOR SUBSTITUTO/TEMPORÁRIO do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico. O processo seletivo previsto neste Edital (Menu Concursos > Concursos Abertos) destina-se à formação de Quadro de Reserva, no Campus de Natal com o regime de trabalho de 20 horas semanais, nas áreas de Regência e Música de Câmara. 

As inscrições podem ser feitas, exclusivamente, via internet (http://www.sigrh.ufrn.br/), no período de 28 de janeiro a 07 de fevereiro. A taxa de inscrição é R$ 50. Em razão da declaração de estado de calamidade pública em todo o território nacional estabelecida pela União por meio do Decreto Legislativo nº 6, de 20 de março de 2020, as provas do presente processo seletivo simplificado serão realizadas, em sua totalidade, na forma remota.

Filarmônica da UFRN realiza tributo aos profissionais de saúde

Cecília Costa de Agecom/UFRN

Em meio a pandemia da covid-19, foi possível conhecer e encontrar heróis fora dos quadrinhos ou das telas dos filmes da Marvel Comics: os profissionais da saúde. Os responsáveis pela linha de frente nesta batalha estão combatendo um vilão da vida real. Como uma forma de agradecer pelos serviços prestados à sociedade potiguar, a Filarmônica da UFRN realiza o Tributo aos Profissionais da Saúde com a participação da cantora natalense Roberta Sá, no dia 15 de dezembro, às 20h, no Anfiteatro da UFRN. 

Promovido pelo Hospital do Coração e Humana Saúde, por meio do Programa Djalma Maranhão da Prefeitura do Natal e com apoio cultural da UFRN, este tributo pretende homenagear e reconhecer o trabalho oferecido à população pelos profissionais da área da saúde. A partir da música regional e nacional, o concerto deseja trazer alegria, paz, esperança e, sobretudo, falar sobre gratidão. 

O evento possui entrada gratuita. É necessário, no entanto, adquirir o ingresso por meio do cadastro disponível online no site do LAIS. Além disso, requer comprovante de vacinação para ter acesso à apresentação musical. Para quem tomou a vacina no Rio Grande do Norte, o ingresso será enviado automaticamente para o e-mail informado, já quem se vacinou em outro estado, a comprovação deve ser realizada na entrada do evento. 

Desde 2009, a Filarmônica da UFRN participa de momentos especiais e importantes voltados à comunidade. Segundo o maestro André Muniz, é importante que as pessoas tenham acesso a outras formas de interagir com a arte, principalmente neste período. “Nós estamos no momento único dessa questão da pandemia e achamos muito importante valorizar os profissionais da saúde”, afirma. A Filarmônica é formada por 50 músicos, exclusivamente por alunos dos cursos da Escola de Música da UFRN, e vem escrevendo uma história entre as orquestras nacionais.