EMUFRN explora o cinestésico de corpo e voz

Ana Beatriz Vilar de Agecom/UFRN

A Escola de Música da UFRN (EMUFRN) realiza, na próxima sexta-feira, 29, a ação Masterclass Cantos Populares para destacar a relação corpo e voz com a intérprete e educadora vocal Fabiana Cozza (SP), que, há 22 anos, estuda voz e canto. Na oportunidade, Cozza conduzirá ações que destacam a relação corpo-vocalidade, além de trabalhar o canto coletivo numa perspectiva que enfatiza as dimensões do canto afro-brasileiro, seu saber-na-prática, o canto-resposta e a importância do uníssono sob uma ótica musical decolonial e afrodiaspórica.

Fabiana Cozza, instrutora de Masterclass Cantos Populares. Foto: José de Holanda

Ao contrário da aula de canto tradicional, com a figura do professor de canto, o piano e uma sequência de exercícios vocais, a ação promovida pela EMUFRN busca com uso da musicalidade do movimento e do canto o desenvolvimento da memória cinestésica. A conexão entre corpo e mente proporciona  aos musicistas, cantores e compositores a capacidade de  identificar, captar, assimilar e transformar os aspectos relacionados com a música como ritmo, som e timbre.

De acordo com a pesquisadora Fabiana Cozza (SP), a voz ou a construção de uma voz é maior do que apenas o ato de falar, por isso o trabalho do intérprete não poderia estar apenas no conhecimento da anatomia das pregas vocais. Cantando e ouvindo juntos, por meio da prática do canto-resposta, os participantes da oficina trocam percepções sobre música em  um tipo de canto coletivo no qual uma voz “chama” a resposta das outras vozes. Ou seja, uma voz entra com o tema inicial e é seguida pouco tempo depois por uma resposta das outras vozes.

A presença do canto afro-brasileiro no workshop marca não só a essência e a herança de Fabiana, mas também do coordenador do evento, Ricardo Alexandre de Freitas Lima, musicista e professor de história e canto popular da EMUFRN. As práticas e análises do professor sobre o canto popular enfatizam a utilização da semiótica da canção, as gestualidades vocais e as vocalidades, além da história da canção popular, para compor um arranjo pautado pela abordagem cancional.

Cozza ainda diz que Corpo da Voz, nome da prática utilizada na oficina, é uma experiência de propriocepção a partir de jogos e exercícios que exploram aquecimento corporal/vocal,  respiração, consonância música, articulação, ressonância, repertório, imaginação, criação e interpretação. Os trabalhos começarão às 13h30 e se encerram às 16h. Fabiana Cozza vai participar de forma remota, pois Corpo da voz está presente em outras instituições de ensino musical além da EMUFRN. Discentes, servidores técnico-administrativos, docentes, musicistas, cantores, compositores, ouvintes, estudantes interessados em conhecer mais sobre o canto coletivo e a comunidade acadêmica em geral devem realizar a inscrição diretamente no Sigaa.

Recital Palestra – Homenagens no Játekok de György Kurtág (n. 1926)

Na sexta-feira, dia 29 de abril, a EMUFRN receberá o compositor e pianista argentino Diego Macias Steiner em recital-palestra dedicado à obra Jatekók do compositor György Kurtág. Steiner vem se dedicando a estudar e divulgar este repertório tendo trabalhado sua performance com o próprio compositor.

Os Jatekók (jogos) começaram a ser compostos em 1973, já somam 10 volumes e são um testemunho da trajetória de Kurtag e de sua relação com a docência e com o piano. Nascido em 1926, na cidade de Lugoj, na Romênia, filho de húngaros, as referências musicais e culturais de Kurtág permeiam seus Jatekók. 

Kurtág afirma: “A ideia para a composição de jogos foi proporcionada pela criança que brinca esquecida de si mesma. À criança, para a qual o instrumento ainda é um brinquedo.” A exploração de sonoridades, novos gestos e uma concepção lúdica do instrumento são algumas das características que atravessam a série de jogos. 

O recital palestra enfocará as peças da série que contém homenagens a outras músicas e compositores. Todos os interessados em conhecer o rico universo musical e de performance dos Játékok estão convidados ao Recital Palestra de Steiner.

EMUFRN realiza encontro de música e inclusão

https://ufrn.br/imprensa/eventos/57713/emufrn-realiza-encontro-de-musica-e-inclusao

A música é capaz de estimular o desenvolvimento social e cultural das pessoas e pode ser uma ferramenta de auxílio no desenvolvimento psicológico e motor para a educação inclusiva. Com o intuito de discutir e ampliar as discussões na área, a Escola de Música da UFRN (EMUFRN) está com submissões abertas de trabalhos para o 9º Encontro sobre Música e Inclusão (EMI). O prazo vai até o dia 29 de maio. Neste ano, o evento adotou como tema Conectando conhecimento e boas práticas em Inclusão e Acessibilidade.

O EMI é um espaço para colocar as questões frente às particularidades das áreas da Educação Musical, é o que afirma David Barbalho, servidor administrativo e coordenador adjunto do evento. “Sabemos da necessidade de ampliar e fortalecer as discussões acerca da inclusão e acessibilidade para as pessoas com deficiência e necessidades específicas, bem como aprimorar as práticas, ações e recursos voltados a esse público, de modo a garantir condições plenas para o desenvolvimento de suas atividades e também no processo de ensino-aprendizagem”, explica.

Serão seis sessões temáticas para discutir o tema geral do evento: Inclusão das pessoas com deficiência: marcos regulatórios e políticas públicas direcionadas ao campo da educação musical; Práticas, recursos e tecnologias na Educação Inclusiva; Inclusão em contextos de ensino de música; Pessoas com deficiência, diversidade e interseccionalidade; Inclusão e Acessibilidade nos contextos não presenciais de Ensino; Demandas e desafios para uma educação musical inclusiva.

A submissão de trabalhos para o evento, que será realizado virtualmente entre os dias 26 e 29 de julho deste ano, pode ser realizada pela Plataforma dos Anais do Encontro sobre Música e Inclusão. Serão aceitos trabalhos nas modalidades Comunicação oral, Pôster científico e Relato de experiência. Os aprovados, além de apresentados no EMI, serão publicados nos Anais do Encontro sobre Música e Inclusão. Os dez trabalhos na modalidade Comunicação Oral que receberem maior pontuação na avaliação por pares serão compilados e publicados como capítulos de um livro digital com um Padrão Internacional de Numeração de Livro (ISBN), organizado pela EMUFRN/SEMBRAIN/BPJD, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2023. Para saber mais, acesse o edital.