Nascido em Tianjin em 1980, Song Qiang iniciou seus estudos de violino aos quatro anos, tendo aos sete anos começado a ter aulas com Liu Zili, renomado professor do Conservatório de Música de Tianjin. Na Alemanha, concluiu seu mestrado na “Hochschule für Musik Hanns Eisler Berlin”, estudando sob a tutela de Johannes Kittel e realizou seu doutorado na “Hochschule für Musik und Theatre Rostok”, com o professor Hanns Eisler, que considerou-o um dos mais promissores violinistas de sua geração. Ganhou o 1o prêmio e um prêmio especial pela melhor interpretação de obra virtuosística no “Internationaler Königin Sophie Charlotte Wettbewerb für Violine” em 2004 e, em 2007, o 2o prêmio no “Concorso Violinistico Internazionale Andréa Postacchini”. Realizou recitais em diversos países europeus e apresentou-se com orquestras como a RundfunkSinfonieorchester Berlin, a Brandenburger Symphoniker e a Berliner Symphoniker. Em 2007, apresentou-se com a Rundfunk-Sinfonieorchester Berlin em concerto no Grande Salão do Povo de Pequim. Em 2008, retornou à China em definitivo e tornou-se professor do Conservatório de Música de Tianjin. Desde então, realiza frequentemente recitais e concertos por todo o país, tendo apresentado-se com importantes orquestras chinesas e oferecido masterclasses em algumas das mais importantes instituições de ensino. Song Qiang dedica-se com frequência à música de câmara, como membro do Quarteto de Cordas Tianjin e do Trio do Conservatório de Música de Tianjin; com este último, recebeu 3o prêmio em concurso promovido pelo Conservatório de Música da São Petesburgo. Apresentou-se também recentemente no IX Festival Internacional de Composição da Tailândia e na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Brasil).
ZHANG YUNXIN (violoncelo)
Secretário da Associação de Violoncelo da China e chefe da cadeira de violoncelo e contrabaixo do Conservatório de Música de Tianjin, Zhang Yunxin obteve seu mestrado em 2002 e seu doutorado em 2005 no Hochschule für Musik Würzburg (Alemanha). Participou de masterclasses com renomados cellistas como Yo-Yo Ma, Maria Kliegel e Gustav Rivinius. Em 2004, realizou recitais no Canadá e gravou a sonata de Dohnanyi para difusão pela rádio Bayerischer Rundfunk, com o jornal “Mainz Post” escrevendo que “Zhang Yunxin possui uma bela e calorosa sonoridade e habilidades superhumanas”. Tocou por vários anos na Würzburg Philharmonic Orchestra, e na Würzburg city Orchestra, realizando turnês por diversos países europeus. Em 2008, seu quinteto de cordas recebeu o 1o prêmio do Concurso Internacional de Música de Câmara Gnessin (Moscou, Rússia). Com o Quarteto de Cordas de Tianjin, formado em 2009, tem se apresentado por toda a China, com concertos em Pequim, Xangai, Shanxi, Xiamen e diversas outras cidades. Em 2012, recebeu bolsa do governo chinês para retornar a Alemanha por um ano como pesquisador visitante.
DURVAL CESETTI (piano)
Descrito como “um pianista de rara musicalidade” pelo crítico Claude Gingras (La Presse, Montreal), Durval Cesetti completou seu doutorado, mestrado e bacharelado pela McGill University (Canadá). Apresentou-se como solista com orquestras como a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, a Orquestra Sinfônica de Goiânia e a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte, sob a regência dos maestros André Muniz, Linus Lerner, Elena Herrera (Cuba), Kirk Trevor (Inglaterra), Juan Paulo Gómez (Espanha) e Jean-Michaël Lavoie (Canadá). Como camerista, colabora frequentemente com diversos músicos de renome internacional e tem publicado seus artigos em periódicos como The Musical Times e Latin American Music Review.
GUILHERME BERNSTEIN (maestro)
O carioca Guilherme Bernstein é professor de regência e prática de orquestra da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO. Tem atuado à frente de orquestras como Sinfônica Nacional – UFF, Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestras Sinfônicas de Porto Alegre, Goiânia e Recife, Orq. Experimental de Repertório – SP, Orq. Rimsky-Korsakov de São Petersburgo, solistas da Filarmônica de Israel, entre várias outras, além da própria Orquestra da UNIRIO, com a qual se apresenta regularmente no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na Sala Cecília Meireles, entre outros espaços musicais no Rio de Janeiro. Foi Maestro Residente da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal – RJ e por vários anos Diretor Musical da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa, conjunto de ponta do projeto “Música nas Escolas de Barra Mansa” que ajudou a formar e onde sua atuação foi fundamental para elevar o grupo à posição de destaque que hoje desfruta na cena musical brasileira. Composições suas como a Serenata para Cordas e o Concerto para Piano n.1, ambas publicadas pela Academia Brasileira de Música, têm sido apresentadas em várias cidades do Brasil, Europa e EUA e sua ópera de câmara O Caixeiro da Taverna já ganhou duas produções, ambas com excelente resposta popular. Foi ainda premiado pela trilha sonora do filme O Outro Lado da Rua e publicou o livro “Sobre Poética e Forma em Villa-Lobos – Primitivismo e Estrutura nos Choros Orquestrais”. Guilherme Bernstein completou seus estudos básicos, bacharelado e mestrado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pós-graduou-se em regência orquestral pela Hartt School of Music, EUA, onde se aperfeiçoou com Harold Farberman, e é Doutor em Música pela UNIRIO.
Estes são alguns excertos das cartas trocadas entre Johannes Brahms e Clara Schumann, de uma relação de amor mútuo que provavelmente permaneceu platônica, tendo sido muito discutida e dissecada por acadêmicos e historiadores desde então.
Clara Wieck foi uma menina-prodígio, tendo aulas com seu pai, um renomado professor, e tornando-se rapidamente uma das melhores pianistas da Europa no século XIX. Ela conheceu Robert Schumann aos oito anos de idade, quando este tinha 17 anos e era um dos alunos de seu pai. Após alguns anos, a amizade entre eles transformou-se em amor e eles se casariam à revelia do seu pai, que ameaçou Robert física e legalmente caso ele prosseguisse com seu interesse. Eles casaram-se mesmo assim e Robert tornou-se gradualmente um dos compositores mais famosos da época, além de um importante crítico musical.
Muitos jovens compositores procuravam-no para conselhos e aulas; entre eles, um dia apareceu à sua porta um jovem músico que muito impressionaria tanto a Robert quanto a Clara: Johannes Brahms. Desta forma, nasceria o triângulo amoroso mais famoso da história da música clássica. Robert tinha na época 44 anos; Clara, 35; Johannes, 20.
Johannes era devotamente dedicado tanto a Robert como a Clara. A amizade e admiração entre eles era sólida e recíproca. Porém, Robert sofria de severos problemas mentais e, no ano seguinte, tentou o suicídio, jogando-se no Rio Reno. Após este episódio, ele foi internado em um asilo para tentar lidar com sua depressão e alucinações, no qual Johannes foi visitá-lo diversas vezes, além de ter muito ajudado Clara durante este período turbulento. Robert faleceria dois anos depois no asilo; pesquisadores defendem diversas teses sobre sua condição médica, desde intoxicação por mercúrio a algum tipo de tumor cerebral (cuja presença parece ter sido indicada por uma autópsia), os quais poderiam ter agravado os sintomas de esquizofrenia ou transtorno bipolar que ele já tinha há décadas.
Após a morte de Robert, alguns historiadores acreditam que Johannes fez uma proposta de casamento para Clara durante uma viagem de ambos à Suíça, mas essa proposta foi rejeitada por ela, que temia desonrar o nome de Robert. Todavia, ambos permaneceriam amigos íntimos para o resto de suas vidas, como demonstrado em sua correspondência; Johannes jamais casou-se e sempre manteve Clara como seu ideal feminino. Ela viria a falecer em maio de 1896 e Johannes seguiu-a apenas 10 meses depois.
O Concerto Duplo de Brahms foi composto exatamente 40 anos depois, no verão de 1887, tendo sido sua última composição orquestral. A obra foi escrita para dois intérpretes que foram muito próximos de Brahms: o violoncelista Robert Hausmann e o violinista Joseph Joachim. Brahms tinha porém se distanciado deste último após uma desavença causada pelo seu divórcio (no qual Brahms tomara partido da esposa de Joachim). Clara chamou esta peça de um “Versöhnungeswerk” – um trabalho de reconciliação: na partitura que deu para Joachim, Brahms escreveu que ela “era para ele para quem a obra foi escrita”, tendo também incorporado na música um tema favorito de Joachim, extraído de um concerto para violino de Viotti. O Concerto Duplo é uma peça que evita virtuosismos vazios, demonstrando uma harmonia perfeita entre ambos instrumentos solistas e a orquestra, criando um “matrimônio musical” no qual “nenhum deles domina o outro”, de acordo com o crítico Irving Kolodin.


