Piero Severi - 50 anos de uma triste efeméride

 

No dia 30 de setembro de 1970, um acontecimento marcou muito o meio musical em todo o Nordeste, assim como a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O carro em que estavam os professores Piero Severi (italiano, violoncelista), Emilio Sobel (polonês, violinista) e Clóvis Pereira (compositor), todos da Escola de Música da UFRN, colidiu com um trem ao atravessar a linha férrea, causando a morte do professor de violoncelo.

Do início do século XX até os anos de 1980, antes da consolidação das Escolas de Músicas nas Universidades do Nordeste, o ensino dos instrumentos de corda (violino, viola, violoncelo e contrabaixo) era realizado por professores que muitas vezes vinham da Europa e viajavam constantemente entre Natal, Recife e João Pessoa. Esses mestres europeus foram trazidos por grandes nomes da nossa história, que viam a música não como mero entretenimento mas como parte integrante e fundamental da sociedade. Nomes como o do governador Alberto Maranhão, que criou a escola de música estadual, hoje conhecido como Instituto Waldemar de Almeida. Natal deu ao mundo músicos brilhantes como Aldo Parisot, Oriano de Almeida, Mário Tavares, Nany Devos, dentre muitos outros.

O primeiro reitor da UFRN, o professor Onofre Lopes, tinha grande admiração pela música e criou, juntamente com o virtuose Waldemar de Almeida, a Escola de Música da UFRN. Um dos atos do professor Onofre Lopes foi justamente a contratação dos Profs. Severi e Sobel para criar as cátedras de violoncelo, violino e viola da universidade.

A Profa. Luíza Maria Dantas, diretora por mais de quinze anos da Escola de Música da UFRN, conta que Pietro Severi tinha um som incomparável; quando tocavam juntos no Trio da universidade, era difícil até de se concentrar, devido ao som cativante do violoncelista. Severi, segundo a Profa. Luíza, era “efusivo, falava alto, tinha uma presença muito marcante e, quando chegava na figueira da Praça Pedro Velho", — a Escola de Música na época se localizava na Rua Potengi — "já podíamos ouvi-lo falando e rindo”.

Apesar da tristeza dessa efeméride, essa data também nos faz olhar para os precursores da universidade, pessoas que dedicaram-se para que a Escola de Música se tornasse o que é hoje. O Prof. Onofre Lopes tinha um sonho de ter jovens violoncelistas no Rio Grande do Norte e hoje, após cinco décadas de trabalho, a UFRN leva adiante esse sonho, atraindo talentos de todo Brasil, América do Sul e Europa.