8 de agosto de 2025
por Agecom/UFRN
A professora Heather Dea Jennings, da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN), realiza no próximo dia 15 de agosto recital com obras autorais voltadas à percussão. A apresentação integra o Projeto de Composições Autorais, desenvolvido por Jennings como parte de sua pesquisa de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

O recital acontece às 19h30 no Auditório Onofre Lopes, na EMUFRN, com transmissão ao vivo pelo YouTube. As obras apresentadas foram compostas ao longo do doutorado e exploram sonoridades contemporâneas e diálogos entre tecnologia musical e práticas instrumentais. A proposta é revelar o processo criativo da compositora e oferecer ao público uma experiência estética singular, centrada na percussão.
As gravações das composições são realizadas no Estúdio Ritornello, espaço multifuncional da EMUFRN voltado à produção fonográfica, pesquisa acústica e ensino de processos de gravação. O estúdio conta com infraestrutura versátil e equipamentos de alta qualidade, além de instrumentos diversos que ampliam as possibilidades sonoras das obras.
Heather Dea Jennings é estadunidense, graduada em Music Synthesis pela Berklee College of Music (1992) e atua como docente na EMUFRN desde 2012. Iniciou seu doutorado em 2020 sob orientação do compositor e instrumentista Guilherme Bertissolo, pesquisador em composição e teoria musical, com formação pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela UFBA.
Além do recital de agosto, o projeto prevê uma segunda apresentação em 11 de outubro, com obras instrumentais e vocais. Ambos os eventos fazem parte da culminância artística da pesquisa de Jennings, que investiga temas como música de câmara, tecnologia musical, flauta, canto e música do mundo.
“A minha tese trata dos diferentes ritmos que fluem das línguas faladas. Escolhemos sete línguas: inglês, português, yorubá, tupi-guarani, tâmil, grego e japonês, para medir os fluxos rítmicos presentes na fala de vários poemas e outras formas literárias. Desenvolvi técnicas para estudar e codificar algumas dessas diferenças rítmicas. Além do interesse musical, há diversas pesquisas que demonstram que o ritmo tem efeitos relevantes no nível da cognição humana”, informa Jennings a respeito da pesquisa.
De acordo com a pesquisadora, as características de cada língua são importantes não só para o ritmo, mas também em termos de composição. “[Isso] permite que a pessoa que deseja compor tenha uma noção dos tipos de ritmos predominantes em determinada língua, usando isso como guia no momento de compor naquela língua, seja cantado, falado, utilizado em eletrônica ou até apenas como inspiração para música instrumental”, completa. Uma das principais contribuições neste trabalho é a facilidade prática no processo de compor uma música.
“Realizar a pesquisa ao mesmo tempo de produzir composições é um processo trabalhoso. Costumo dizer que, para nós que gostamos de compor, é como fazer o dobro do trabalho: escrever um texto profundo e, ao mesmo tempo, criar composições que reflitam essa profundidade. Mas tem sido um processo muito gratificante”, expressa a professora.
Jennings não nega que, para compor, é necessário também muita percepção. “Minhas origens estão na música popular e no jazz e, aos poucos, acrescentei a música clássica e a música do mundo. Estudei canto lírico da tradição europeia e, ao mesmo tempo, música clássica do norte da Índia. Nos últimos anos, além de continuar atuando nas áreas de jazz e música clássica, me envolvi nas tradições populares locais, como o Coco de Roda, o Maracatu com o Zamberacatu e nos grupos Pau e Lata e Afoxé Estrela da Manhã. Também estudo no projeto Rum, Rumpi, Lé: Na Língua de Zambi, com a professora Mônica Santos, sobre ritmos no atabaque”, relata a docente.
Esse trabalho de referência a todos esses ritmos, segundo a professora, requer um cuidado para evitar apropriações, além de uma atenção com relação às pessoas envolvidas nas tradições dessas músicas, por exemplo. Sua relação com Natal/RN também move algumas ideias dentro do processo de composição: “Uma das primeiras peças com traços abertamente ligados à minha vivência aqui em Natal é O Lugar de Encontro para alfaia [instrumento de percussão] e eletrônicas e será estreada no dia 15 de agosto, sendo uma das composições relacionadas à minha pesquisa”, conta.
A gravação das músicas terá participação de mais uma pesquisadora internacional em música: Patti Cudd, que é musicista de câmara e professora da University of Wisconsin-River Falls (EUA). Cudd, inclusive, participará do recital do dia 15.
Algumas músicas de Heather Dea Jennings estão disponíveis em seu canal no YouTube e no perfil no Sound Cloud da Heather Jennings.
Fonte: Agecom/UFRN. Texto: Jefferson Tafarel; Edição: Paiav Rebouças
