Músico alemão é o primeiro a se formar em novo curso de composição da Escola de Música da UFRN

Oswin Lohss (no piano)

Cumprindo quase a metade do curso de bacharelado em Música, com ênfase em composição musical, pelo ensino remoto, Oswin Lohss, de Hamburgo, Alemanha, radicado no Rio Grande do Norte desde 2005, apresenta o seu recital de conclusão neste domingo, 27 de março, às 10 horas da manhã pela plataforma youtube, através do portal AOLD (Auditório Onofre Lopes Digital) da EMUFRN. Expandido durante a pandemia, este portal registra praticamente todos os recitais que aconteceram durante o isolamento social obrigatório. Enquanto no início, os vídeos eram realizados em forma de clipe mosaico, onde cada músico teve que tocar na sua casa, sendo o vídeo montado depois, o recital de Oswin já acontece de forma presencial, no auditório físico, porém sem presença de público. Compensando esta desvantagem, os espectadores podem assistir o recital num domingo de manhã em casa, e até em outros países, como na Alemanha, onde alguns familiares do compositor já aguardam com curiosidade a interpretação de duas canções com letra em alemão pelo cantor Kaio Morais, acompanhado pelo pianista Durval Cesetti, professores da instituição. Parceria com o poeta mineiro Osmir Camilo Gomes, a canção “Filigrama”, interpretada pela professora de canto popular Polly Guimarães abre o programa, que tem duração de 50 minutos, contando ainda com a participação de mais 10 músicos, entre eles o baixista Zé Fontes, o clarinetista Antonio Wendel, Caio Godoy no violoncelo, Gustavo Macedo (flauta), prof Alexandre dos Santos (fagote), Lucas Paiva (bateria), Mylanne Santana (percussão), Paulo César Vitor (piano), Raí Sérgio (canto) e o orientador de Oswin, professor Anderson Pessoa, no saxofone. Ailson Medeiros, vencedor de vários prêmios dentro e fora do Brasil, colega do curso de bacharelado em música, contribui com o violão, acompanhando Gabê Teixeira, que canta a canção “Se Ainda Houvesse Lado”, na qual Oswin reflita a sua situação como imigrante, fascinado pelo país tropical e sua musicalidade que escolheu para morar, apesar de algumas adversidades: “Brasil, a noite chegou ao fim. E com você eu amanheço” Entre canções e peças instrumentais, todas as composições são de Oswin Lohss, concebidas durante o curso de bacharelado que durou oito semestres, aproveitando letras de vários autores, como Cecília Meireles, Osmir Camilo Gomes, Maria Stein, e do pai do próprio compositor, Eberhard Lohss. Oswin destaca a importância da interação com os músicos durante o curso, que durante os primeiros anos, no chamado núcleo comum, reune todos os instrumentos nas aulas teóricas, como harmonia, linguagem, percepção e análise musical, regência, contraponto, produção musical, entre muitos outros. Apaixonado pela Escola de Música da UFRN, o fato de acompanhar o passo dos estudantes na faixa dos seus vinte anos foi um desafio, relata Oswin, que tem 52 anos, e tem uma filha de 16 anos. “A maneira em que a instituição me abrigou, sendo estrangeiro, e já um pouco mais velho do que a maioria dos colegas de curso me deixará eternamente grato”, revela o alemão, que na cena potiguar já trabalhou com os mais diversos músicos, como Romildo Soares, Esso Alencar, Carlos Bem, Eduardo Juarez, Dudu Galvão, com destaque para Mazinho Viana e Regina Casaforte, com os quais, durante a primeira fase do curso, visitou Minas Gerais para participar do evento Abril Poético, com apresentações diárias durante duas semanas, abrangendo seis cidades mineiras, entre Belo Horizonte, Ouro Preto, Congonhas, Conselheiro Lafaiete, além de
outras. Publicou o CD autoral “conjunto SCHÖN”, com Edilton de Costa Lima (Barbosa), Isaque Gurgel e Matheus Jardim em 2013, e já promete não esperar mais que dez anos para lançar o próximo disco. Além de pianista e compositor, trabalha também com gravação de áudio.

Recital de Composição (Oswin Lohss)
domingo, 27 de março 2022, 10 horas
plataforma youtube: https://youtu.be/vcVnOybdK_Y

Professora da EMUFRN faz apresentação em festival internacional

A Professora Nan Qi, da Escola de Música da UFRN, apresentou-se no GRASP Festival, na Dinamarca, como parte do CReArC (Center for Research on Artistic Citizenship), uma rede de pesquisadores sobre educação musical da qual ela é uma das fundadoras e que também reúne professores da University of Texas at Austin, Uppsala University, Technical University of Kenya, Rytmisk Musikkonservatorium e Universidade de Brasília.

O convite para participar do evento veio do Rytmisk Musikkonservatorium, e também incluiu uma sessão com alunos de pós-graduação de várias universidades dinamarquesas e várias reuniões sobre um livro que o CReArC está preparando para publicação em breve.

Aluna da EMUFRN ganha prêmio internacional

Kayllani Lima Silva  de Agecom

Aos 15 anos, Isadora Rezende, aluna do Curso Técnico em Música da Escola de Música da UFRN (EMUFRN), alcançou o primeiro lugar na categoria Niños y Adolescentes do Concurso Internacional Parnassus de la Música. O evento foi promovido na modalidade virtual, no período de 8 a 12 de novembro, e direcionado para pianistas da América Latina com idades entre 5 e 25 anos. A iniciativa foi da Universidade Nacional de Música, em parceria com a Associação Parnassus de Música e a Sociedade homônima.

Ensaio, Música Instrumental nas Escolas, 2021 – Foto @luanatayze

Isadora carrega no sangue o amor e a afinidade pela arte. Fernanda Ferreira, mãe da pianista e bacharel em Música, explica que sua família é formada por ex-alunos da EMUFRN e, por isso, a filha teve desde pequena a oportunidade de frequentar concertos e conhecer o universo da musicalidade. “Quando começou a estudar piano, tocar era a primeira e a última atividade do seu dia. Acordava cedinho e corria para o piano; chegava da escola e ia tocar piano; antes de dormir, tocava mais um pouco. Certamente, o piano foi seu ‘brinquedo’ preferido na infância”, conta Fernanda.

A trajetória de Isadora na EMUFRN teve início aos seis anos, quando ingressou no Curso de Iniciação Artística (Ciart), e hoje ela conta com quase 10 anos de atuação na Escola. Fernanda guarda boas recordações dos primeiros passos da filha e afirma que eles foram essenciais para que a jovem conhecesse a música de forma lúdica, afetiva e sólida. “Uma história linda com a instituição, que verdadeiramente a formou como musicista”, complementa.

O concurso Parnassus de la Música foi informado à Isadora por meio de uma amiga da classe de piano, e Fernanda esclarece que a seleção significou um verdadeiro desafio. “Ele era composto de três etapas com repertórios distintos. Cada etapa implicava o envio de gravações da performance do candidato. Nas duas últimas etapas, semifinal e final, o vídeo deveria ser contínuo, sem cortes, como acontece num recital. O primeiro com 15 minutos, o segundo com 25 minutos. E, claro, não são aceitas edições de nenhuma natureza”, explica a musicista.

Para se preparar para o evento, Isadora contou com a ajuda de Guilherme Rodrigues, professor desde 1995 na EMUFRN que vem acompanhando sua trajetória há oito anos na instituição. De acordo com Rodrigues, a conquista da aluna é motivo de muita felicidade e reflete o trabalho da Escola de Música em busca da aprendizagem eficiente. “A Escola tem apoiado toda a manifestação do ensino, seja na parte teórica, seja na parte da performance. A Escola é um universo que está sempre atento para se atualizar com o mundo da música não só dentro dos seus muros, mas também fora deles”, ressalta o professor.

Além da primeira colocação, Isadora foi a única de sua categoria a ganhar o Prêmio BECA FGCU, que concedeu a alguns candidatos uma bolsa integral de graduação. Fernanda afirma que Isadora ficou muito feliz com a conquista e seus esforços sempre buscam honrar a música da melhor forma possível. Na ótica de Guilherme Rodrigues, o êxito da aluna e o trabalho desenvolvido pela EMUFRN trazem grande satisfação. “Eu espero que a Escola continue nesse caminho, pois, assim como Isadora Rezende, há muitos valores no corpo geral da Escola de Música que vão nos trazer muita alegria e orgulho”, complementa.

Fernanda reforça que o trabalho de Isadora é fruto de muito estudo, dedicação e superação, cujo resultado é avaliado por professores experientes e músicos sensíveis. “Então ter a chancela de seu trabalho, de sua dedicação, é certamente o melhor prêmio. Uma sensação de estar construindo um caminho bonito, de beleza e música. Mas, claro, as premiações são bem-vindas, em especial as que possibilitam caminhos de crescimento e mais estudo. São conquistas que a aproximam do sonho de ser uma ótima pianista”, finaliza.